Cyberpunk: Edgerunners quase teve um final ainda mais cruel
Seguem-se spoilers para Cyberpunk: Edgerunners.
O final de Cyberpunk: Edgerunners é já um dos mais dolorosos da animação recente. Mas de acordo com Bartosz Sztybor, o guionista da série produzida pelo Studio Trigger e pela CD Projekt Red, o destino de David Martinez podia ter sido consideravelmente pior.
Em declarações à Anime Corner, numa entrevista ainda não publicada na íntegra, Sztybor revelou que existiram alternativas ao final que chegou à Netflix em setembro de 2022, e que pelo menos uma delas era ainda mais sombria do que aquela que os fãs conhecem.
Aviso: Seguem-se spoilers para Cyberpunk: Edgerunners.
"Nunca haveria um final feliz. Havia finais ainda piores", disse Sztybor. "Havia um final em que David não morria completamente. A Arasaka ficava com ele e ele acabava a combater em guerras corporativas em África ou na América do Sul, como um robô."
Para quem já viu os dez episódios da série, o destino final de David Martinez é bem conhecido, depois de uma luta até à exaustão contra Adam Smasher, o protagonista morre enquanto Lucy parte finalmente para a Lua, o sonho que os dois partilhavam e que nunca chegaram a cumprir juntos. É um final agridoce que ficou gravado na memória de toda uma geração de espectadores.
A alternativa descrita por Sztybor seria de uma crueldade diferente e, em certa medida, ainda mais perturbadora. Em vez da morte em combate, David sobreviveria como uma ferramenta da Arasaka, reduzido a um instrumento de guerras corporativas noutro continente, sem identidade e sem propósito. Num universo onde a Arasaka representa precisamente o sistema que esmagou a família e os sonhos de David, a ideia de que ele pudesse continuar a existir ao seu serviço seria uma traição completa à essência da personagem.
O guionista deixou ainda claro que este não era o único final alternativo considerado, sugerindo que existiram vários caminhos descartados ao longo do processo criativo, todos igualmente distantes de qualquer resolução feliz. A única constante, ao que parece, era que a Night City nunca perdoa.
A herança de Edgerunners mantém-se bem viva. Os personagens da primeira temporada continuam presentes como conteúdo lateral em Cyberpunk 2077, e uma colaboração com o jogo Wuthering Waves, ativa até início de julho, traz Lucy e Rebecca como personagens jogáveis, com uma animação original que reúne Lucy e David na Lua. A segunda temporada da série está em produção, com Kai Ikarashi na direção e Sztybor como guionista e showrunner, mas ainda sem data de lançamento. Mais detalhes estão previstos para 29 de junho, com um painel na Anime Expo marcado para 4 de julho. A segunda temporada apresentará uma história completamente nova e um elenco diferente. O manga prequela centrado em Rebecca, publicado pela Dark Horse Comics, chegou em fevereiro.
